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Postado em 22 de Dezembro de 2020 às 11h00

PAPO DE PROFISSA: Como reconhecer e prevenir o overthaining?

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Você sabe o que significa overtraining?

A ideia de que quanto mais você treinar melhor será sua performance, pode levar a uma armadilha. Tudo na vida é questão de equilíbrio. O treinamento excessivo por um determinado tempo pode levar a um declínio inexplicável do rendimento, que pode ser atribuído a causas fisiológicas e psicológicas.

Quando a carga ou volume de treinamento ultrapassa a capacidade do corpo se recuperar, o organismo passa a apresentar mais catabolismo (degradação) do que anabolismo (acúmulo). A fadiga que ocorre após uma ou algumas sessões de treinamento é facilmente revertida com períodos curtos de recuperação ativa (regenerativo) ou passiva (repouso completo). No overtraining (também chamado de síndrome do excesso de treinamento, ou sobre treino) a recuperação pode levar meses para ocorrer.

Existem diversas teorias para tentar explicar esse acontecimento e não entrarei em detalhes mais técnicos. A identificação é difícil de ser realizada pelos atletas e pelos treinadores. Sem dúvida o primeiro sinal é a queda do desempenho físico. Além do rendimento, outros sinais podem ser notados: diminuição do apetite; perda de peso corporal; sensibilidade muscular; resfriados; náuseas ocasionais; distúrbios do sono; frequência cardíaca de repouso elevada. Além das alterações fisiológicas, as psicológicas geralmente aparecem na forma de perda do entusiasmo de treinar e competir, além de irritabilidade e depressão.

Os resfriados ocorrem porque o treinamento intenso reduz a função imunológica temporariamente e aumenta a chance de infecções, principalmente respiratórias. Dias sucessivos de treinamento intenso podem ampliar esse período de supressão da imunidade.

Também são observadas alterações hormonais. Uma carga elevada de treinamento geralmente provoca redução dos níveis de tiroxina (hormônio da tireoide) e de testosterona e a elevação do cortisol. Por isso, a relação testosterona/cortisol é considerado por alguns autores como um marcador importante do overtraining. Outros exames que podem auxiliar são as enzimas creatina quinase (CPK), lactato desidrogenase (LDH) e a transaminase glutâmico oxalacética (TGO), entretanto são pouco específicas.

A frequência cardíaca (FC) talvez seja uma das maneiras mais objetivas para predizer o overtraining, pois geralmente ocorre uma elevação da FC de repouso e durante uma mesma intensidade de exercício. 

E quando identificado o problema, como tratar? Envolve principalmente uma redução significativa da intensidade do exercício e repouso completo. O tempo de repouso vai depender da gravidade dos sintomas e na maioria das vezes são meses afastado do esporte.

Para prevenir esse quadro, os treinamentos devem periodizados e seguir ciclos, alternando treinos intensos com treinos leves e moderados. A nutrição deve ser otimizada, com atenção especial aos carboidratos, pois treinos longos e intensos de corrida podem depletar as reservas musculares e hepáticas de glicogênio, predispondo ao quadro da síndrome.
Existe também uma forma mais branda do overtraining, chamada de overreaching (funcional e não funcional). Mas esse assunto fica para um próximo post.

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Wilton César Eckert

  • Medicina pela UFRGS.
  • Cardiologista e Ecocardiografista. Santa Casa de Porto Alegre.
  • Pós-graduação em Medicina do Esporte e do Exercício.
  • Corredor amador.

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